Em sua mais recente coluna, Renato Eid fala sobre a trajetória do ouro, e ressalta que, para o investidor, é uma estratégia com menos sustos e mais equilíbrio.
Se você já ouviu que ouro “é para tempos difíceis”, mas nunca entendeu por que colocar o metal na sua carteira, respira fundo: dá para explicar sem jargão. Pense no ouro como o extintor de incêndio do portfólio. Você não compra porque espera usar todo dia, e sim porque, quando o fogo aparece — inflação teimosa, dólar nervoso, crise geopolítica — ele ajuda a conter o dano.
O que faz o ouro subir (ou segurar a onda)?
O ouro costuma andar diferente de outros ativos e, muitas vezes, de títulos. Essa descorrrelação é o coração da tese. Não é sobre ganhar mais, é sobre cair menos quando o resto vai mal. Na prática, isso melhora o resultado da carteira ao longo do tempo.
Três forças simples movem o ouro:
– Medo e incerteza: quando o noticiário esquenta (guerras, calotes, aversão a risco), investidores buscam proteção;
– Juros e moeda: juros menores lá fora costumam favorecer o ouro, porque o “custo de oportunidade” cai; já o dólar forte/fraco mexe com o preço em reais;
– Inflação: é um ativo real; ao longo de ciclos longos, tende a preservar poder de compra. Melhor do que deixar o dinheiro parado.
Por que Ouro em seus investimentos?
O mundo vive um combo raro. Inflação mais alta que o normal em várias economias, ainda que caindo aos poucos. Ciclos de juros em transição abre a porta para cortes, mas com idas e voltas. Riscos geopolíticos frequentes. Dívidas públicas elevadas em países grandes, o que faz investidores questionarem moedas e juros no médio prazo.
Em cenários assim, o ouro costuma ganhar atenção por ser um ativo de confiança global e por não depender do lucro de ninguém.
Quanto alocar?
Para a maior parte dos investidores, 5% a 10% da carteira em ouro costuma ser um ponto de partida razoável. Pouco não faz diferença, muito pode gerar um desbalanceamento que ninguém quer. O ouro não paga renda, ele protege e equilibra. Por isso, a ideia é ser coadjuvante importante, não o protagonista.
Como encaixar na sua carteira?
Se o objetivo é proteger também contra alta do dólar frente ao real, prefira a estratégia que tenha a oscilação cambial. Se você só quer o metal e ainda receber o diferencial de juros Brasil e Estados Unidos busque estratégias sem exposição cambial.
A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros
Os investimentos em fundos não são garantidos pelo administrador, pelo gestor, por qualquer mecanismo de seguro ou pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC
O que você deve entender antes de investir?
– Defina o papel do ouro: metal puro, diversificação e/ou proteção cambial?
– Escolha a estratégia: Com ou sem hedge e qual a porcentagem
– Compre em parcelas: Ouro pode pular de preço. Entrar aos poucos ajuda na composição de preço médio;
– Rebalanceie: a cada 6 ou 12 meses, volte a alocação alvo. Se subiu demais, vende um pouco; se caiu, compra um pouco. É assim que o ouro “trabalha” a favor da carteira;
– Cuidado com expectativas: o ouro pode ficar parado por meses. Ele brilha, de verdade, quando o resto sofre.
Já falei do extintor, mas outra boa metáfora para o ouro é a do cinto de segurança. Você não compra um carro pensando no cinto, mas quando precisa, ele salva. Na carteira, o ouro não deve dominar o portfólio, mas a presença constante deixa a viagem mais tranquila, inclusive psicologicamente. Quem tem ouro sofre menos FOMO (o medo de ficar de fora) nas altas e menos pânico nas quedas, porque sabe que tem um amortecedor.
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